sábado, 25 de Outubro de 2008

Autoretratos


Hepburn Line


Thinking...



Smoking...




Lost...


Desabafar a Felicidade

Se outrora escrevo por estar triste,
Agora escrevo para exprimir a alegria,
que pula em mim como uma sinfonia…
Quando o corpo está contente,
a alma enche até rebentar,
tal é a sensação que se sente…!
Por mais que se tente,
esconder o sorriso exagerado,
nuns lábios incontrolados,
o rir sai pelos olhos,
janelas sempre abertas,
sob a forma de água, as lágrimas,
esse liquido agridoce,
que tanto revela um coração destroçado,
como um tão encantado!

Marta
18 de Junho 2001

A ilusão

O olhar procurava incessantemente o que queria ver,
remando contra a corrente, perdia a esperança.
Tudo estava escuro, mas subitamente,
uma luz azul reluzente o encaminhou.
O olhar seguiu aquele mar,
de tons ofuscantes, e nada mais via a não ser o que queria.
Navegou o oceano dos teus olhos e deixou que o teu sorriso me embala-se nas ondas cruéis do desejo…
sabia que tinha encontrado o que queria ver.
As palavras fluíram, os olhares cruzaram-se, as mentes fundiram-se…
a imaginação outrora leiga, voava… e voou bem alto…
pairando e rasando as iras serenas,
sentindo a brisa fresca do anseio.
Depois veio a queda…
e percebi que o que queria ver tinha visto,
mas não mais via.

Marta Simões
Agosto de 2006, Faro

Alma que voas…

Ouves ao longe palavras verdadeiras
Ou serão meras quimeras ilusórias?
Do coração sacudiram as poeiras,
Depositadas por outras histórias.

Alma solitária buscas, carenciada…
Outra que te encontre a ti, perdida
Mas frágil, facilmente és enganada
E a ti mesma te cegas, iludida.

Queres e queres e por mais que queiras,
Corres e voas sem eira nem beira,
Bate-te o vento, atiça-se a fogueira,
Traz-te o fogo nos olhos a cegueira.

Alma, tu que te enganas a ti própria
Abre-te e sente o que o vento te faz
Perde o medo e enfrenta-te fugaz,
Experimenta na cara o bater da paz.

Outubro 2008
Marta.