quarta-feira, 30 de Abril de 2008

FRESCO FOGO

Brisa fresca, brisa levante, que tocas em mim e me levas para longe...fico distante mas perto...perto das ondas do som, que me perpassam e me fazem sentir-te. Sinto, mesmo que infimamente, o poder dos teus olhos, que têm a força de um vendaval, que me abana e me faz estremecer.
Olho pela janela e vejo o mar, envolvente e infinito, e basta-me o teu sorriso, meu barco, para nele navegar.
Os sentidos apuram-se, e mesmo sem me tocares, sinto-me tocada. Vou continuar aqui ou ali, lá ou cá, livre ou presa, quente ou gelada, mas sempre...sempre com o anseio aceso como a chama do fogo, à espera que tu brisa, me atices ainda mais, e o tornes maior...
depois, talvez o mar onde viajo consiga apaga-la, essa maldita fogueira que se acende e arde no meu corpo, que o faz suar, que não queima mas afaga.
Dás vida a este coração que bate descompassadamente e incessantemente e que faz o sangue quente percorrer-me as veias, com a velocidade da água sufocada que salta de uma comporta que se abre, e que, cheia de força, faz luz.
E é essa luz que ilumina a penumbra que me esconde e me faz julgar que não mais sentia o fervor do desejo, enorme e animalesco, mas que sinto, ardente e fresco.·

Marta Simões,
Zambujeira do Mar
21 de Agosto de 2006.

quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Pequena Grande...

Estes são os nossos sorrisos, o meu e o teu sorriso, e o mar por trás e os pés na areia...e um abraço, a chuva na cara, um momento...duas amigas!


Tu, a Filipa, a amiga...leal, linda, verdadeira, corajosa, batalhadora, inteligente, humilde, forte...e tantas e tantas coisas que poderia mais dizer...mas tu sabes que assim o és, porque simplesmente és!


O que eu te queria dizer, nesta carta de coração aberto, é que te adoro muito e como já te disse, orgulho-me muito de ti!


Porque nem toda a injustiça do mundo, nem toda a crueldade mais cruel, conseguiram endurecer esse coração macio e bonito que tens...cheio de amor!


E ficam as coisas boas, as recordações, as flores, os abraços, os sorrisos e gargalhadas, momentos... e ficas tu e também o teu mano, meu huguito, que são um pedaço delicioso deles, a maior das heranças.


Eles, Rui e Isabel, que estão aqui e ali, estarão em tudo e para sempre.


Beijo com muito carinho e muita admiração por "tu"...minha PEQUENA GRANDE!

segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Amiga leal!


Brida, a minha gata...uma grande amiga de bigodes!

Homenagem a Álvaro Cunhal


Num país de bocas caladas e mãos atadas
Pintado de cinzento e povoado de medo
Houve um homem que lutou desde cedo
Contra os cobardes de mãos armadas

Cheio de coragem e força danada
Enfrentou os caçadores de sonhos
Esses bichos sem brilho, nem alma
Cavos agentes da vida controlada

Envergou a única arma digna de ser usada,
Uma arma chamada inteligência,
Carregada de bala atilada da palavra
Estridente, frutuosa, entremeada de vigência…

Este foi o homem que lutou e sofreu
Deu voz aos que dela precisavam
Os escudos da razão, ergueu
Sacudiu os melindrados espezinhados

Desengatilhou os vis de poder reles,
Bichos sem coragem, de raça ignóbil
Desencobriu as ideias escondidas
Deu asas ás reflexões perdidas

Ele foi grande e guerreou
Na guerra-fria das alforrias
Contra os pérfidos mandados
Cegos de tão vendados…

Marchou de cabeça levantada
Em nome da honra e da decência
Contra a fome e a decadência
Pela vivência não censurada

Nasceu num país adormecido
Viveu para o acordar e esperançar
Morreu certo das convicções
Agora mora nos nossos corações

Mereces ser laureado pelos livres de hoje…
Sim, a verdade foi o teu punhal
Sim, a tua obra perpetuará, cabal
Sim, o teu nome permanecerá, Cunhal

Homem com letra grande e erudição vincada,
O que te posso eu dizer?
Obrigada…
E até amanhã camarada.


Marta Correia Simões
Faro, 14 de Junho de 2005

Acerca do Aborto - Recordando Natália Correia....


A deputada Natália Correia, escreveu e distribuiu no hemiciclo o poema que abaixo se transcreve, dedicado pela autora ao seu colega João Morgado. Este parlamentar do CDS afirmara, numa intervenção sobre a questão do aborto, que o acto sexual só é justificável tendo por objectivo a procriação.

Dedicado ao deputado João Morgado

Já que o coito – diz o Morgado
Tem como fim cristalino
Preciso e imaculado
Fazer menina e menino
E cada vez que o varão
Sexual petisca manduca
Temos na procriação
Prova que houve truca-truca

Sendo pai de um só rebento
Lógica é a conclusão
De que o viril instrumento
Só usou – parca ração! - Uma vez.

E se a função
Faz o órgão - diz o ditado –
Consumada essa operação
Ficou capado o Morgado.

(Natália Correia)

Poema ao meu Avô

Foste um homem…
grande e grande e grande.
Tenho pena que tenhas ido,
sei que partiste desiludido
desta vida sem sentido…
Onde reinam os hipócritas
que se escondem atrás de um Deus,
para esconder e censurar tantos
pecados que são seus.
É cobarde da parte de muitos
E vergonhoso de se ver:
Porque os pecados não existem!
O que existe é um ser, que erra,
sem querer ou por querer.
Não fiques triste…
Porque fizeste o que pudeste, lutaste e enfrentaste
aqueles que se julgam senhores,
mas tu sabes que não o são…
tu sim foste um senhor,
pela tua bondade, honestidade, e humildade rica…
e foste árvore que deu frutos,
sou eu filha de um fruto teu.
Obrigado avô…
És maior que Deus, porque ajudaste
e viveste mais por todos, do que por ti,
e principalmente porque tu sim, exististe.

Marta Correia Simões

Maio de 2000