O olhar procurava incessantemente o que queria ver,
remando contra a corrente, perdia a esperança.
Tudo estava escuro, mas subitamente,
uma luz azul reluzente o encaminhou.
O olhar seguiu aquele mar,
de tons ofuscantes, e nada mais via a não ser o que queria.
Navegou o oceano dos teus olhos e deixou que o teu sorriso me embala-se nas ondas cruéis do desejo…
sabia que tinha encontrado o que queria ver.
As palavras fluíram, os olhares cruzaram-se, as mentes fundiram-se…
a imaginação outrora leiga, voava… e voou bem alto…
pairando e rasando as iras serenas,
sentindo a brisa fresca do anseio.
Depois veio a queda…
e percebi que o que queria ver tinha visto,
mas não mais via.
Marta Simões
Agosto de 2006, Faro
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