segunda-feira, 9 de Junho de 2008

A Guerra

Pousei numa rocha, salpicava-me o mar…
Foi longo o caminho que tive que voar…
As asas fracas, não me deixaram descolar…
Deixei que morressem e passei a andar…

Com pernas embarquei e no chão caminhei…
Os pés assentes, na terra sujei…
Passo a passo persegui o que sonhei…
Voei tão alto, e agora nem sei…

Falta-me a tua água, chamo-te mar…
Quero-te, vem, que estou a secar…
Em ti me perco, mas não me quero afogar…
Apenas que me embales, quero sonhar…

Fogo aquece-me, acirra-me o coração…
Mesmo que me queimes, dá-me a tua mão…
Eleva-te e arrosta as grades da prisão…
Quero sentir o poder da paixão…

Minha água, meu fogo, meu ar, minha terra…
Se não me encontram, tudo em mim se encerra…
E a minha alma embaída e perdida berra…
Neste motim em mim, a que chamo A Guerra.

Marta Correia Simões
Faro, 10 de Junho de 2008

1 comentários:

barrigagolfinho disse...

Gosto muito de ti também, obrigado!! :p